sábado, 11 de abril de 2009

Fulano de Tal: o homem que se achava imune ao amor

Fulano de Tal era o típico machista contemporâneo, só pensava em obter prazer, em possuir a maioria das mulheres do planeta, somente as que fossem bonitas, é claro!

Era jovem, rico, bem sucedido e de boa aparência. Freqüentava as melhores festas, pertencia ao mais conhecido grupo social e sempre aparecia nas colunas fúteis dos jornais.

Todos os finais de semana, dormia com uma mulher diferente. Um dia com uma loira, no outro com uma morena, numa sexta com uma japonesa e num sábado com as três. Gabava-se por isso, se achava o máximo, o mais macho dos homens.

Na semana, brincava de trabalhar, de fingir que fazia alguma coisa de importante. Sua rotina era acordar ao meio-dia, tomar banho, vestir-se e ir até a empresa da família, sentar na cadeira de chefe executivo, ligar o computador, ver os lucros, despedir aqueles que não deram a vida pelo emprego e fazer o “teste do sofá” com aquelas que desejavam um cargo melhor. Depois, passava em um bar, enchia a cara com os amigos, voltava bêbado para casa e no outro dia tudo se repetia.

Ele pensava que o amor era algo para os tolos, para as pessoas fracas, que acreditavam em contos de fadas; já ele era esperto, forte e realista, nunca havia amado ninguém, achava que estava imune e nunca teria o tédio de acordar ao lado de uma mesma mulher todos os dias.

Mas, se passam anos e anos, vidas surgem e se vão, muita coisa se transforma e o antigo jovem, rico e garanhão é agora um velho pertencente à terceira idade. A empresa, que sustentava os seus altíssimos lucros, quebrou, a beleza, que um dia possuiu, sumiu e o antigo órgão que lhe proporciona prazer, não funcionava mais.

Um terrível vazio atormenta a sua mente, encontra-se na mais absoluta solidão. Os seus supostos amigos se afastaram, as inúmeras mulheres não lhe fazem mais companhia e todos os membros de sua família morreram. Agora só o que lhe resta é uma misera aposentadoria que mal dá para pagar a conta da farmácia.

Incontáveis crises de existência começam a lhe perturbar. Passa a viver somente com si, tendo que refletir 24h em tudo de ruim e sem importância que praticou ao longo de sua vida. Começa a perceber que o antigo alicerce individualista, que sustentava sua existência, se rompeu, e conclui que não é feliz, e que, na verdade, nunca foi, havia possuído apenas a ilusão de felicidade.

O amor, que anteriormente havia desprezado, começa a lhe fazer falta. Sente a necessidade de uma esposa para lhe fazer companhia, assistir-lo quando estiver enfermo, e que lhe proporcione tudo de mais maravilhoso que somente uma relação com amor pode trazer.

Só que a velhice e uma longa vida de prazeres acarretaram em diversos problemas: está pobre, doente e a morte, cada vez, se aproxima mais. Não tem mais forças de ir atrás de um sentimento que nunca teve, de uma nova razão de viver.

Então, o que ele deve fazer? Esperar a morte chegar se lamentarndo por tudo o que deixou de viver? Sonhar como seria a sua vida se tivesse agido diferente? Ou tentar buscar, com todas as suas limitações, aquilo que se achava imune?

Infelizmente, ele não poderá fazer nada disso, não terá a oportunidade de escolher, pois acabo de receber a notícia de que ele partiu desse mundo.

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